Para quando o inverno chegar

quando chegar o inverno, 
 quero dormir ao relento.

inverter as horas 
 é uma questão de marcar o tempo.

não escreveria sobre o destino das horas 
 há um certo cansaço e os dedos doem.

mas o que seria das mãos 
 se não houvesse a linha?

quero deixar de pensar 
 tornar-me adormecida 
 nem um beijo para salvar-me.

quero rasgar o vestido no leito sonâmbulo.
ao menos, poderia andar e correr 
lá pelo final da estrada,
rastejar, comendo terra.

quando esse findar chegar 
 acordar misturada às margaridas de azul intenso
olhar pela janela do quarto 
 e relembrar a infância.

talvez descobrir o porto seguro
que me assegure no plano comum.

enquanto isso, quem sabe, pedir ao amor 
 que me esquente entre linhas e fundos 
 tornar as coisas mais perto.
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