espera de espreita calada

 

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foto: Kylli Sparre

 

(amores, explosões e vaga-lumes)

Dizem que se nasce uma vez só nessa vida. E que amor de verdade é um só, desse que atravessa as estrelas e confirma as previsões.

Coisa desconhecida, assalto de mão desarmada, se apresenta com ar de simplicidade a que muito custa perceber que chegou, sina injusta do imperceptível, à mercê dos que não sonham. Tanto medo, tanto tiro perdido, que acabou se habituando ficar escondido nas coisas sem importância aos que olham somente para o chão.

Na espreita de coisas muitos caladas, o amor em mim foi se arrodeando, se instalando sorrateiro, por debaixo da porta foi entrando, espremido, menino. Tanta festa, tanto riso, confete, serpentina, todas aquelas coisinhas que se usa para pratear o salão.

Em plena espera, tanto encantamento me fez acordar para uma parte esquecida de mim mesma. Tanta espera acabou silenciando as camas dos amantes e eu fui ficando de olhos abertos mesmo quando, por cansaço, quis fechá-los. Era o medo de não mais saber o que é ter sonhos noturnos. Tanta coisa pareceu infinita que as simplicidades ficaram na cara.

Descubro, na espera, que pessoas são idênticas às correntezas e que o amor é o descansar sob a sombra da árvore. O amor é o olhar à beira do remanso no barranco do mundo. Quando ele não existe tudo se abafa. Seu movimento é em direção ao centro. Sua bandeira, a da harmonia. Do amor, seu equilíbrio são os pés no chão e cabeça no além.

Ah, Mundo Eu! Para mim é muito simples: o amor ultrapassa os muros, os templos, as praças sem bancos e sem copas. Algo me diz que pessoas foram feitas para serem amadas.

O amor é a certeza de um tipo de esperança que só se manifesta quando todos os sentidos agem ao mesmo tempo. É o mistério sacramentado quando uma criança nasce do amor entre dois seres, quando a vida se garante a salvo das grandes catástrofes da intolerância, do ódio. Um só amor salvaria todos aqueles olhares inocentes e tomaria de surpresa as florestas, os animais, as águas poluídas e a flores indefesas que dormem petrificadas na Rocha Mãe toda Poderosa.

Aqui nesse quase inverno, digo a todos que acordei foi cedo demais –  urgência por entendimentos, por coisas encantadas, sem nome, sem cor exata, que eu aprendi aos poucos, que na verdade não pertencem ao mundo muito menos aos Homens.

O amor sim, à espera, com olhos que nunca dormem, fica à espreita do sono dos que têm fé, dos que sabem que o entendimento mora aí nesse fabuloso mundo.

Não tenho a intenção de ousar em nenhum momento aquilo que não cabe nos vazios porque eu gosto é das coisas em quantidades pequenas. Do exato, do necessário. Do que enche e não derrama. Do que dorme e sonha.

 

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