Poema 4.

por aqueles ausentes, sonho.
por outros de corpos distantes,
porém reais,
dispenso as pálpebras
– vou com mãos dispostas
e olhos de verdade.

há Um de visão azul
e por ele sonho.
mas meu desejo não é ardente
tem frescor de sombras de árvores que florescem.
por isso aprendi um deslumbramento
quase imperceptível
e para não ferir minhas previsões
com ânsia urgente:
proteger o tempo da paixão.

separo com cuidado
as lembranças que me cobrem.
deposito na superfície das mãos
o que acalenta a alma e
às vezes sigo só,
conto telhados e viagens.

pelas trilhas de grandes alturas
valho-me de arcos e linhas,
solto-me nos sonhos em forma de vento
sem perder os sinais daquilo que me originou.
ao final, sou o azul de cada cor
resta-me ser profundeza de espera.

da série Cacos enluarados e outros incidentes
(ou números de Agnes)

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s