O avesso do encanto

 

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(…) para Antropos

Devo desejar a claridade das palavras que nascem livres e desejar tua presença sem conter-me.
Tanta seriedade às vezes abafa minha alma com mãos de primavera orientadas pelo meu signo. Espano o que é encoberto…
Chamo-te então, como num poema de Pessoa: vem colher flores imaginárias que meus desejos plantaram para fugir de toda essa aridez.
Ontem estivestes comigo: ao amanhecer nos meus olhos fizestes barulho, o corpo firmado ao lado da cama e a existência assustou-se diante da aparição surpresa.
Acordei…
Meus dias são lentos agora, não acompanham os teus. Algo deve unir-nos onde tudo for calmo, quando o tempo deixar, para contarmos as horas e rir de nossos apertos, apagar todos os cansaços.

Agnes Amarantine

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