Vesper

Pelas tardes mornas e úmidas, há um raio de luminosidade que espreita as frestas da estação e as testas dos que não concordam com a efemeridade da vida. Terceiros olhos espalhados em busca de compreensão. Eu, mantenho minha fé a qualquer modo e me responsabilizo pelos amores infalíveis. Sou daquelas que atravessa os tempos fiel às mãos firmes e idéias delicadas e inteligentes. Sou daquelas que ama por muito tempo.

Mas quando menos esperava, encrustou-se pelas horas a maneira atada das possibilidades. A possibilidade é sorrateira e nada desse mundo vai matar a chance – há de se duvidar de quem não oferece uma segunda. A maneira atada das possibilidades é matéria para quem não prende as águas. Só não me limito a ser sem manifestar minha alma: detrás das nuvens o sol escapa e no final podemos também escapar de qualquer findar da memória. Só espero não esquecer da água e de como seus caminhos um dia foram limpos e abundantes. Não há nada mais triste hoje em dia que as águas sujas.

Vespertina, nostálgica, cheia de desejos, absoluta imersa em sensações. Um mergulho nos ares já molhados do final da primavera. Absurdos rondam todas as feminices dos quintais e eu sigo muito certa na troca das peles e suas recompensas. Sou eu mesma guardada, nova e profundamente invencível contra as tentativas do tempo em passar.

Pois aqui mesmo refaço a intenção azulada do desejo e seus braços compridos.

 

 

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