Desenfreamentos

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Desenfreada acordei uma noite, encharcada em meus sonhos, revirada nas voltas que seu cabelo deu diante de meus olhos.

Meio acordada, meio dormindo, vagueei pelos frestas do teto, enternecida pelas supostas mãos da vontade encabulada em meus baús secretos. Virei a página do poema que lera no dia anterior e suspirei enquanto reformulava as cenas do seu olhar rasante.

Motivada pela eminência da chuva, entalada em minha garganta, desaguei sem pudor na busca do entendimento por tamanha fome e tamanha serenidade ao mesmo tempo. Meu teto desabou sobre mim, tudo já estava externado, fugidio do sonho que sempre se repete. Antropos, vive eterno entre meus devaneios. Antropos sobrevive entre minhas pernas e assim segue pelos anos desde seu aparecimento. Antropos é de uma teimosia infernal, me leva ao céu e ao inferno. Amo Antropos apesar de nossas incontáveis incruzilhadas. Amo Antropos não porque ele me ama mas sim pelo seu passo lento, suas mãos de escalador de montanhas inatingíveis. Amo Antropos porque ele me faz sentir viva em meus desejos.

Desenfreada entre minhas noites, desaguo todas as águas que me são possíveis. Permaneço acordadas para ver o sol nascer em seus raios futa-cor e tateio os cacos do teto desabado entre meus lençóis. Já espero a chuva há tempos e acredito em sua promessa. Nunca perco a esperança.

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