O retorno

Simplesmente sou Agnes Amarantine. Sou aquela que nos tempos de Imortalidade acenava a mão para o homem que ensinava a nadar. Eu sou aquela que fica congelada à espera do olhar derradeiro para então, seguir o rumo do Olimpo.

Quantas horas formam as voltas do relógio no pulso de Antropos? Quantas lascas conseguem queimar 1000 medos da solidão? É pelo avesso que a emoção me pega. É pelo pé que a realidade me furta e é com olhos fechados que me vejo quando sonho.

Eu sou Agnes e voltei. Acordei de um longo sono sem jornada. Um sono furtivo. Estive à espera de uma constelação inteira e estive observando uma lua longínqua, esparramada, derretida na escuridão de uma espécie de apocalipse.

Eu sou Amarantine, aquela sempre viva, solta e firmada aos pés do Cerrado. Eu cresço na forma de um eclipse e ainda assumo que sou filha de Iansã, me movo como se movem os raios.

Estive calada, adormecida entre lagos. Minhas águas, numa espécie de morte, estavam paradas. Mas a janela do mundo não tem tranca, as línguas é que são travadas e da luz todos viemos – e para ela, estou certa que voltaremos. Tenho convicção que é o amor que move o mundo.

Eu sou Agnes Amarantine e meu avesso é Antropos, com ou sem encantado. Sou ar e sou fogo ao mesmo tempo embora os céticos me desmistifiquem uma hora ou outra.

E continuo tendo asas mesmo preferindo a terra morna para pisar descalça. É dela que escrevo agora, determinando e celebrando meu retorno.

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