A redenção!

ali à sombra

descansa o velho

inundado de lua

solto pelo vilarejo.

à luz da vela

de uma novena

o sorriso velho

denuncia o rosto tão marcado

de uma velha com suas tranças.

uma lágrima cái

e a rezadeira acorda noite adentro

os cachorros serenados

noturnos e donos das ruas do vilarejo.

ali, lembra-te

que sou um pouco

daquela velha que reza

e descubro em minhas mãos os dedos

do velho que dorme

à sombra de qualquer coisa.

cheiro de fumaça e café da hora

invadem o cômodo

renova a solidão da casa e suas paredes de barro.

simplicidades atordoam meus sentidos…

lembra- então

que me pareço com tudo

do lugar pequeno

que chamo de vilarejo.

acorda dos maus presságios

e apressa-te!

logo a reza começará

já não serei mais

a velha ou o velho que dormem

(jazem na eternidade do que fácil se esquece).

serei enfim

ao fim da novena

uma poeira voadeira

um poema singelo

e senhora de mim serei

até cessar o sono

até cessar a reza

até o findar do dia.

Taquaruçu, dezenove de abril de dois mil e nove

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