Quantas são as Liberdades?

Golden Egg-Bird Girl - Amy Alice Thompson
Golden Egg-Bird Girl - Amy Alice Thompson

Quantos são os tormentos

que nos fazem andar em constantes círculos?

Quantas são as liberdades

que desafogam nossas asas?

Quantas são as coragens

que nos fazem pular abismos abaixo?


Você me faz as perguntas que eu nunca quis responder.

E me dá medo quando imagino seus dedos pelos meus cabelos e sua voz dizendo as coisas que nunca irei publicar por mim mesma. Não vou responder nem dar-lhe motivos para conhecer o que me circula. Ninguém tem nada a ver com minhas angústias.

Lá fora, enquanto aqui dentro é escuridão, chove e a água que cai do céu renova os galhos secos que antes, terminavam em pó nas minhas mãos. Diante da presença constante da chuva, qual é o motivo para que eu esconda da platéia as rimas que surgem inusitadamente entre meus dias de horas vagas e encantadas? Você sabe que eu nunca entendi o motivo dos ponteiros se desacertarem contra a vontade dos que querem desejar sem condições. Ninguém deverá saber da minha falta de entendimento, das questões que não consigo resolver por capricho ou por idealismo.

Acho que para mim a liberdade não se conta, não se mede. Com a claridade é a mesma coisa porque o sol quando nasce, vive intensamente até às dezoito e quinze. E você, fica aí perdendo seu tempo em remoer o passado, ressuscitar os fantasmas que hoje em dia nem assombram mais, coitados!

A única coisa a se fazer é mesmo sair de casa, tirar as asas dos baús encabulados, pendurar ao sol e firmar bastante a imagem do céu azul na memória, antes que a chuva caia novamente. E pare de se iludir: não é preciso liberdade para alongar as asas. Eu por exemplo, estou longe de voar mas as tenho em constante movimento. Por isso, aceite meu conselho e saia quando o sol estiver lhe chamando. Desafogue suas ilusões e esqueça as mágoas. Nada adianta ser tão intenso em tempos de enchentes, de conflitos e armas em punho.

Agora, há de se clarear que sobre as coragens ninguém tem moral para falar. Já acabou o tempo do medo e da inércia há um século. E você ainda perde seu tempo em ficar me apertando contra a parede, me levando para a beirada do barranco e sussurrando com essa voz que me deixa como um bicho no cio, pedindo para eu pular abismo abaixo, bater asas e voar em círculos cada vez maiores.

Eu te amo, eu te desejo, eu penso em ter várias varandas um dia com você, mas meu caro, não vou cair nessa sua conversa: não acredito em quem faz perguntas já sabendo das respostas.

Em tempos de enchentes e terrorismos, eu quero é paz!

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