O que levarei desse inverno

Oleg Oprisco

O que levarei desse inverno? O que aprendi, o que comi, o que sonhei?

   

Nesse inverno inventei mais esconderijos ignorando que no Ser habita um infinito.  Mas eu quero levar muito mais desse inverno. Quero visualizar as minhas experiências passadas – é época disso. É, vamos lá!

Vamos aceitar os cortes, as partidas, as perdas – é época disso. Mas também, poupar as energias só mais um pouquinho. Lembre-se que no inverno o urso entra na caverna, dorme e sonha com a primavera, época em que germinará.

Estou aprendendo com as percepções, com a ausência dos murros. Meus olhos ficaram fissurados em estar procurando pelos sinais, algo parecido com os poemas de Manoel de Barros. Os olhos… é interessante: estão abertos!

Outro dia, não me lembro, alguém achou que viver assim é meio sofrido. Pode ser, como um pouco tudo é, mas dá pra sentir a delícia no ar em estar vivendo acordado, atento. Os conflitos naturais dessa vida existem, mas é gritante a cor da verdade que norteia aquilo que se deve acreditar ser o mais doce, o mais terno, para amar as pessoas.

Quando estiver com 80 anos, por favor tenha vivos na retina esses dias que vivenciamos agora. Eu terei a sensação de que procurei pelos sinais dos dias e que os maus presságios se dissiparam no vento dos meus quase 28. Os erros estarão presentes lá, na idade final, mas para que saber o gosto disso agora?

A época mais esperada se aproxima: primavera. Época da germinação, da colheita, da fertilidade. É quando os bichos adormecidos acordam e correm ansiosos pelo alimento, pelo acasalamento. É quando as sementes se quebram nas dormências, as flores se abrem, o ar seca e as Afrodites dançam e rezam por dias de maior abundância.

Equinócio de Primavera, madrugada onde quero acender a fogueira nova em direção ao Leste, local do masculino elevado norteado pelo feminino gerador. Local da criatividade e do despertar, da expansão da consciência, do nascer do sol, do dia igual à noite, da Luz Espiritual.

Estou aqui nesse lugar tão intenso…

Pronta para entender as ligações sentimentais e os sonhos que gelam minha barriga.

Estou, mas de coração e mente abertos.

* Foto arte de Oleg Oprisco    

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