Norteados pelos desejos e ameaçados pela brevidade da vida…
Os sentidos estão aí para não restar dúvidas: tudo é efemero. A cidade jovem e cheia de inquietação me persegue e eu vou lutando contra a efemeridade. Dirijo diriamente nessa cidade através das dezenas de motoristas de ônibus e mototáxis. Dirijo vagarosamente às duas da manhã em busca de alguma coisa boa pra comer. Dirijo através dos homens solteiros e bem-sucedidos que vagam pela cidade de avenidas largas e com trânsito vazio. Eu também vago por essa cidade calma demais. Pouco. Mas entendo os que vagam em busca de algo que dê alento e distração.
Fiz 29 outro dia. E ainda estou na cidade jovem e cheia de inquietação reforçando os prazos de validade das pessoas e das coisas. O dia, delicado e vago de hoje me dá chance de analisar, me dá calma para colher meus louros. Pela manhã o resto da chuva me acalma, pingos isolados, terra molhada. O cheiro de quem, ainda não entendo, permanece no ar tão efêmero quanto aos meus desejos.
Dirijo através das mulheres de 40 e seus filhos rebeldes e desiludidos. Ando junto com as meninas e suas sandálias rasteiras que tinjem suas peles com a poeira das obras dos homens mais poderosos. Ando pouco. Mas entendo que andam atrás de alguma coisa que abram seus caminhos e sua sorte.
Faço 29 e estou aprendendo a viver sem algumas coisas. Mas como diz o Zen, é preciso (e precioso!) esvaziar a xícara para receber mais. Gasto então meu tempo pensando a respeito da brevidade da vida. Demorei para desvendar os sinais do efêmero que reside aqui nesse lugar. E trocar de idade causa isso em todo humano que preste. Ontem durou tão pouco. Um rápido momento dos olhos do desejo natural da vida. Uma breve palavra que dura sempre o tempo do seu som.
Só posso querer mesmo brindar a fluidez das coisas. Só devo celebrar a luz que mora do lado de dentro de todos nós.
Agora percebo que ele conseguiu ser o gato dentro do saco.



